segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Muito mais que um professor

Escritório, tenho não
E nem preço, meu labor
Meu trabalho é educação
Eu sou mais um professor

Meu produto é assunto
Eu não vendo, eu compartilho
E vejo em cada aluno
A figura de um filho

É bem difícil, é verdade
Aluno ruim tem à vontade
Mas tem muita gente boa
Que se esforça e sem maldade

Não é só aula a ministrar
Tem estudo, tem preparo
Mais que isso tem as vidas
São pessoas a cuidar

E ao Mestre sempre peço
Sabedoria e amor
Pra que possam ver em mim
Muito mais que um professor

Bruno Moreno, 15/10/2018

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Sair de grupo de Whatsapp é fácil



Tenho ouvido vários relatos de amigos, alunos e colegas de trabalho sobre problemas nas relações familiares por causa dessas eleições. Na minha família não tem sido diferente. Especialmente no que se refere às discussões em grupos de whatsapp. É uma pena que tenhamos chegado ao ponto que chegamos por causa da conjuntura nacional. É uma pena que, por causa das escolhas políticas de uns, outros partam para as agressões pessoais, para o desrespeito e para acusações levianas. 

Normalmente, esses ataques e agressões são lançados sob a justificativa de serem contra uma espécie de discurso tido por fascista ou intolerante. Tenho visto isso também em muitas postagens nas redes sociais: amigos de longas datas (e familiares também) que têm demonstrado de forma intencional o desprezo aos anos de amizade aos seus amigos seguidores para fazer ataques que vão além dos ataques aos candidatos. É possível dividir as coisas! Do que adianta atacar os eleitores? Será que isso vai fazer, realmente, seu candidato ganhar a eleição? Vocês, que dizem que tudo se resolve com um amor sentimental, deveriam seguir exatamente o que pregam.

Sim, é possível odiar uma ideia e amar o detentor da ideia. 

Amor não é sentimento. Amor é atitude. É ação. Quem é pai e mãe sabe que não se educa filho só com sentimento. Além de disciplina, quem ama de verdade respeita a opinião do próximo e é tolerante com a opinião alheia embora não seja obrigado a gostar nem concordar com ela. Afinal, quem é que diz mesmo que "não se combate ódio com ódio"? Sim, é o mesmo pessoal do "mais amor por favor". 

Essa intolerância é ainda mais preocupante quando trata de pessoas de mesmo sangue e que muito provavelmente foram alicerçadas em valores e princípios que muito custaram aos seus antepassados. Se desrespeitar da forma que tenho visto é o mesmo que assassinar relações, correndo-se o risco de nunca mais voltar a estabelecê-las. O mais curioso é que as pessoas que normalmente usam tanto ódio em suas argumentações são exatamente aquelas que consideram "antigos demais" ou "caretas" os valores que foram ensinados pelos seus familiares. Distanciar-se desses valores pode-se ser compreensível, mas negá-los a ponto de não tolerá-los é rejeitar a semente da sua própria existência.

Romper com princípios e valores e partir para a agressão mútua entre familiares é romper com os nossos antepassados que tanto amamos. Manter o respeito entre os familiares é uma declaração de amor à memória dos pais, avós e bisavós, por exemplo. Já diria o sábio em Provérbios 28:28: "Não removas os marcos antigos que puseram teus pais". 

Sair do grupo do whatsapp é fácil… quero ver sair da família!!!
A paz que excede todo o entendimento.*


H. G. Spafford era um rico advogado de Chicago no século 19. Um terrível incêndio devastou sua cidade e lhe trouxe enormes prejuízos financeiros. Pouco tempo após o incêndio, Spafford perdeu seu filho de forma repentina. Decidiu, então, viajar com a esposa e as quatro filhas para a Europa a fim de buscar um tempo de refrigério. Na véspera da viagem, precisou permanecer mais alguns dias em Chicago, porém enviou a esposa e as filhas para ir ao encontro delas logo em seguida. Poucos dias após o embarque de sua família, recebeu um telegrama da esposa: "Salva, porém só". Houve um terrível naufrágio e apenas a esposa se salvou. Spafford imediatamente tomou um navio e foi ao encontro da esposa. Pediu ao comandante que lhe mostrasse o local onde o navio naufragou e em meio à fúria das ondas, o Deus que inspira canções nas noites escuras, colocou em seu coração um dos hinos mais marcantes do cristianismo: "Se paz a mais doce me deres gozar. Se dor a mais forte sofrer. Oh, seja o que for, tu me fazes saber, que feliz com Jesus sempre sou. Sou feliz com Jesus. Sou feliz com Jesus meu Senhor!". Em inglês, o refrão é: "Está tudo bem com minha alma, está tudo bem com minha alma"



"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou" João 14:27

* Adaptado do Devocional "Gotas de Paz" do Pr. Hernades Dias Lopes

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

De quatro para o bom senso

Na última segunda-feira ocorreu uma "performance artística" nos jardins do CCHLA, na UFPB [1]. Durante a performance, o "artista" - que estava nu - andava de quatro e além de gestos e falas incompreensíveis, chegou a enfiar o dedo no anus em meio a cambalhotas e outras extravagâncias pra lá de pitorescas, bem longe do academicismo que se espera de uma instituição do saber.


Em outro momento, algo que parecia ser uma moça (ou moçx, se preferirem), também em posição canina, impedia a passagem de alunos em um dos corredores dos blocos do CCHLA. Ao que parece, nos vídeos amplamente divulgados nas redes sociais, ninguém chamou a polícia ou chegou a intervir, o que sempre foi muito estranho naquela região do CCHLA.


Me graduei e me pós graduei em universidades federais. Hoje sou professor de uma instituição federal, o IFRN, e quem me conhece sabe como prezo pelo meu trabalho e pela instituição que obtive meus títulos (neste caso, UFPB e UFPE). Nesses quase 15 anos de vida acadêmica, já vi a polícia federal entrar na universidade para resolver questões relacionadas a roubo de equipamentos de informática, assaltos a alunos e, inclusive, para apurar crimes sexuais, mas é difícil você ver a lei sendo aplicada quando se está nos entornos da Praça da Alegria, onde ocorreu tal "manifestação artística".

Não é necessário ser um frequentador de museus e ou de exposições de arte para entender que há algo muito errado: a referida "exposição" faz parte do cerne da desconstrução que muitos teóricos estudados naquele centro defendem. Teóricos esses que são tidos como pedra angular das discussões filosóficas e ideológicas de alguns discentes e docentes.

Quem trabalha ou estuda nas instituições federais precisa fazer uma autocrítica sobre o que vem ocorrendo em nossos campi. Estamos abaixo da lei. Todos os nossos campi, centros e departamentos estão abaixo da lei. Existem doutrinadores, sim, que estão transformando nossos espaços há muito tempo em um espaço de desconstrução radical e intolerante a todo e qualquer costume e valor de herança judaico-cristã. Essa desconstrução inclui a própria ordem vigente: desconstruir a ordem é o que gera a passividade em não intervir e em, sequer, chamar a polícia. Mais do que isso: desconstruir a ordem faz com que a própria polícia não se sinta à vontade para agir nesses espaços "gramscianos".

Esses espaços, infelizmente, são partes de um Brasil que à conta gotas tem sido construído pelos últimos governos. É bem verdade que essa desconstrução vai além de terra brasilis. Existe uma agenda mundial nesse sentido, mas o que é mais estarrecedor é que essa agenda seja defendida, mesmo que inconscientemente (ou não), por cristãos genuínos. A luta tal qual proposta por Marx e Engels, reescrita sob a tímida e poderosa inteligência de Gramsci, alcançou seu auge nos tempos modernos: cristãos estão, paradoxalmente, no mesmo time dos que defendem a desconstrução do cristianismo.

Não dá mais pra ficar em cima do muro vendo o circo ser montado!

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[1] - Notícia sobre o ocorrido aqui