Na última segunda-feira ocorreu uma "performance artística" nos jardins do CCHLA, na UFPB [1]. Durante a performance, o "artista" - que estava nu - andava de quatro e além de gestos e falas incompreensíveis, chegou a enfiar o dedo no anus em meio a cambalhotas e outras extravagâncias pra lá de pitorescas, bem longe do academicismo que se espera de uma instituição do saber.
Em outro momento, algo que parecia ser uma moça (ou moçx, se preferirem), também em posição canina, impedia a passagem de alunos em um dos corredores dos blocos do CCHLA. Ao que parece, nos vídeos amplamente divulgados nas redes sociais, ninguém chamou a polícia ou chegou a intervir, o que sempre foi muito estranho naquela região do CCHLA.
Me graduei e me pós graduei em universidades federais. Hoje sou professor de uma instituição federal, o IFRN, e quem me conhece sabe como prezo pelo meu trabalho e pela instituição que obtive meus títulos (neste caso, UFPB e UFPE). Nesses quase 15 anos de vida acadêmica, já vi a polícia federal entrar na universidade para resolver questões relacionadas a roubo de equipamentos de informática, assaltos a alunos e, inclusive, para apurar crimes sexuais, mas é difícil você ver a lei sendo aplicada quando se está nos entornos da Praça da Alegria, onde ocorreu tal "manifestação artística".
Não é necessário ser um frequentador de museus e ou de exposições de arte para entender que há algo muito errado: a referida "exposição" faz parte do cerne da desconstrução que muitos teóricos estudados naquele centro defendem. Teóricos esses que são tidos como pedra angular das discussões filosóficas e ideológicas de alguns discentes e docentes.
Quem trabalha ou estuda nas instituições federais precisa fazer uma autocrítica sobre o que vem ocorrendo em nossos campi. Estamos abaixo da lei. Todos os nossos campi, centros e departamentos estão abaixo da lei. Existem doutrinadores, sim, que estão transformando nossos espaços há muito tempo em um espaço de desconstrução radical e intolerante a todo e qualquer costume e valor de herança judaico-cristã. Essa desconstrução inclui a própria ordem vigente: desconstruir a ordem é o que gera a passividade em não intervir e em, sequer, chamar a polícia. Mais do que isso: desconstruir a ordem faz com que a própria polícia não se sinta à vontade para agir nesses espaços "gramscianos".
Esses espaços, infelizmente, são partes de um Brasil que à conta gotas tem sido construído pelos últimos governos. É bem verdade que essa desconstrução vai além de terra brasilis. Existe uma agenda mundial nesse sentido, mas o que é mais estarrecedor é que essa agenda seja defendida, mesmo que inconscientemente (ou não), por cristãos genuínos. A luta tal qual proposta por Marx e Engels, reescrita sob a tímida e poderosa inteligência de Gramsci, alcançou seu auge nos tempos modernos: cristãos estão, paradoxalmente, no mesmo time dos que defendem a desconstrução do cristianismo.
Não dá mais pra ficar em cima do muro vendo o circo ser montado!
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[1] - Notícia sobre o ocorrido
aqui