segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
Cônjuge
quinta-feira, 12 de janeiro de 2023
Zero paz, ciência.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2023
Deus é bom?
Tenho olhado para as circunstâncias e perguntado onde está o Senhor. Tenho sentido medo, pensamentos sombrios passam pela minha mente e faço perguntas nunca antes feitas. Tenho sido sempre desafiado a não crer e me vejo numa situação de impossibilidade: aos que crêem, tendo de fato crido, “não crer” não é uma simples escolha, é desobediência convicta. É como olhar para o sol, negar sua força, sua beleza e seu poder, simplesmente porque não gosta de como o mesmo queima a sua pele. O sol continuará existindo.
Como negarei ao Senhor que me deu a vida? Como negarei àquele que me transformou? Como negarei a bondade depositada em Jesus e através de Jesus, responsável pela minha transformação? Como o negarei? Como?
Não quero ser espiritualmente presunçoso. Mas quando olho às circunstâncias que temos vivido, me sinto agraciado, juntamente com minha família, por Deus não me permitir não crer.
Um dia, ao final de uma aula, uma aluna me perguntou por que sempre finalizo meus textos com #DeusÉBom?. Minha resposta parece óbvia aos que crêem, embora não o seja para os que convivem com a dor e sofrimento: “porque Ele é bom o tempo todo”.
Dias bons e ruins sempre existirão. Deus criou ambos. Vivê-los sem essa certeza seria pior do que as próprias circunstâncias. Hoje não é um dia bom para nossa família. Quando minha mãe foi diagnosticada com o Glioblastoma, a única certeza que os médicos nos deram foi que o tumor voltaria. A frase: “O tumor vai voltar!” foi uma constante em consultórios. Hoje fomos surpreendidos pelo esperado. Ao ouvir o resultado, imediatamente me veio em mente: “Deus é bom!”. É tão óbvio quando desafiador.
Entende como isso é profundamente angustiante e ao mesmo tempo consolador? Deus é bom em meio a tudo isso?
Sim. Posso não entender completamente a razão de coisas ruins acontecerem. Mas hoje, creio com ainda mais convicção que Deus é bom na dificuldade, na angústia, na porta fechada, na falta de dinheiro, no diagnóstico difícil e até no caixão que desce. Deus é bom em meio às minhas perguntas tolas, em meio ao meu lamento e na presença da morte. Deus é muito bom e eu confio nele! #DeuséBom
quarta-feira, 4 de janeiro de 2023
Silêncio
Silêncio. "Não ouço minha voz". Quadro e lápis. Leitura labial. Esquece chuveiro aberto. Implante coclear. "Não poderá ressonância". TC das carótidas. Cirurgia realizada. "Ouvido esquerdo sem resposta sensorial". Faixa de compressão. Ligação do aparelho. "Tou ouvindo minha voz? É minha voz?". Esperança. Fonoterapia. São João. Família. Graça. Vida voltando. Primeira praia. Última. Sono, esquecimento, tristeza. Depressão? Perda de memória. Alzheimer? "Tem alguma coisa na minha cabeça, meu filho". "Não tem, mãe, prometo". Edema no cérebro. "Calma, meu irmão. Tem que ver o que tem debaixo". Medo. Google. Viagem cancelada. "Deus está no controle". Decadron. Urgência. Diagnóstico. Luto. Perguntas difíceis. "Foi a causa da surdez?". "Sobrevida?". "Como será a morte?". "Ela vai sofrer, definhar?". Sonhos, futuro. Funeral? “Porque ele vive”. “Um dia de cada vez”. Visitas. Perdão. Amor. Família. Amigos. Ausências. Igreja. Sustento. Cuidado. 04 de agosto. “Sê Forte e Corajosa”. 67 anos. Torta de morango. Entrada flexibilizada. Barulho, chororô e Risos. "Silêncio!". Máscaras inclusivas. Teresina. "Chegaram!". Choro de Alegria. “Não apresse o rio”. "The Butterfly". Cirurgia. Varanda. Clamor. Milagre. Artes. Medo. “Aquele que te guarda não dorme”. Ansiedade. "Foram tantas responsabilidades em cima de você, meu filho". Despedida. “Tamanho de um limão”. Linha média. "Sem visão periférica e profundidade". Cicatriz. UTI. Abandono. “Não estou ouvindo nada”. Desespero. Choro. "Não quero ficar só". GBM IV. Google. Patologia. Selvagem. KI67. Himunohistoquimico. "Ela é surda". Direito a acompanhante. Convulsão. Trombos. Veia cava. Ambulância. Idas e vindas. 36 dias. Quarto andar. Sexto andar. "Me dá sua mão". “Fica comigo”. “Não me deixe só”. “Estou do outro lado”. “Sem vocês vou desistir”. Desesperança. Silêncio. Culpa. “Na saúde e na doença”. Amor pra vida toda. Cabedelo. Presente. Fim? Cuidados paliativos. “Não voltará para casa”. Milagre. Acordou. “Deus é Deus”. Louvores. Conversas. Risos. Caminhadas. Alta Hospitalar. Nova Tereza. Novo eu. Novo nós.
Dias e anos bons e ruins sempre existirão. Mas pior seria vivê-los sem ter o Amanhã. Sem crer no Amanhã. O Amanhã virá. Feliz 2023.
