Em todas as ocasiões que viajo a trabalho, faço de tudo para que nada saia errado. Não somente quanto à viagem, mas também quanto à minha ausência em casa: planejo tudo para que minha falta não atrapalhe a rotina do lar. Há alguns dias eu tive que viajar. Meu voo era no início da manhã mas às 3 da madrugada eu já estava de pé com meu dia e minha agenda definida.
Em uma hora e meia antes do voo já havia saído de casa, afinal, teria que parar no meio do caminho para abastecer o carro e, assim, minha esposa não teria o trabalho de fazê-lo. Feito isto, em companhia do meu pai, e já a caminho do aeroporto, acontece o inesperado: um buraco no meio do caminho. Resultado: pneu furado. Olho ao derredor e me atento que estou em uma região conhecida por assaltos durante a madrugada. Olho para o relógio e penso: "vai dar tempo, só preciso ser rápido". Não me lembrei, sequer, de orar, afinal, "não dava tempo". Estava tão compenetrado no meu planejamento, que só pensava em correr contra o tempo.
Outro carro já estava no local, um uber com sua passageira. Meu carro era a segunda vítima daquele buraco. Ao começar a trocar o pneu, sou alertado pelo meu pai: "Filho, não é esse pneu, é o dianteiro!". Foi quando percebemos que, na verdade, os dois pneus estavam furados! Nesse momento, atentei que todos os meus planos poderiam falhar, foi quando pensei em alta voz: "Vou perder meu voo". Temor semelhante ao do meu pai, que concordou comigo. Dois pneus. Um estepe. A conta não batia. Passei a murmurar dentro de mim, afinal, seria melhor que não tivesse abastecido o carro, já que essa foi a causa de desviar o caminho. De que adiantaria o carro estar com tanque cheio para a família mas sem dois pneus? Liguei para familiares, todos dormindo, pensei em milhares de soluções para que meus planos dessem, ainda, certo e, pelo menos, conseguisse pegar meu voo. Foi quando o nosso colega ao lado, o uber que foi vítima do mesmo buraco, finalizou a troca do pneu do seu carro. Sua passageira era uma colega que eu não via há quase 10 anos e que estava indo para o mesmo destino: o aeroporto. Peguei, claro, a carona e consegui chegar a tempo, são e salvo, com todos os meus pertences e em tempo hábil.
O pecado da autoconfiança me cegou a ponto de custar a ver a providência do Deus Eterno - que não cabe no tempo porque é dono dele. Demorei para ver o lado bom da história, mas a graça de Deus tirou as escamas dos meus olhos. Cai na graça do Deus que eu havia colocado em minha agenda apenas para "seguir o plano", em uma breve devocional logo cedo. A idolatria de mim mesmo, da minha agenda, do meu tempo me fez esquecer que tudo isso é como a relva que logo se dissipa (1 Pedro 1:24). Todo o lado bom da história me trouxe à memória que se o Senhor não for o Senhor da minha agenda, em vão eu trabalho (Salmos 127). O remédio contra ansiedade é composto por oração, súplica e gratidão (Filipenses 4:6). Que Deus lhe abençoe e que você tenha um dia em total dependência do Senhor do tempo.
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