Durante a entrevista do presidente Bolsonaro à Jovem Pan, ao vivo, duas coisas me surpreenderam. Primeiramente, a quasi-demissão do Ministro da Saúde Luiz Mandetta ao vivo. Segundo, o chamamento do presidente especificamente aos "ministros evangélicos" para o que seria um jejum nacional.
A primeira coisa que me surpreendeu e é obviamente absurda. É fato indiscutível. A segunda não deveria, mas é absurda também e a minha intenção com esse texto é, exatamente, trazer uma reflexão sobre os porquês que eu entendo ser absurdo esse chamamento específico aos "líderes evangélicos".
1) Não vivemos em uma TEOcracia. É insanidade, loucura, é heresia acreditar que um presidente eleito DEMOcraticamente pode fazer uma CONVOCAÇÃO para alguma prática religiosa. Uma SANTA convocação, então, nem se fala. Vergonha alheia dele e de quem segue;
2) Como não vivemos numa TEOcracia, o presidente não é um representante de Deus. Deus escolheu Bolsonaro tanto quanto escolheu Temer, Dilma, Lula, FHC e todos seus antecessores (leia Romanos). No sentido bíblico, se até Pilatos foi escolhido por Deus para ter autoridade (leia os evangelhos), avalie Bolsonaro;
3) Ter tido o apoio de cristãos durante as eleições para justificar uma SANTA CONVOCAÇÃO para jejum é tao significativo quanto ter sido batizado por Silas Malafaia ou ter "Messias" no sobrenome. Ou seja...;
4) Conclamar "líderes evangélicos" é apelar ao apoio de parcela da liderança e de crentes comuns que tem prestado-lhe apoio cego e acrítico. A conveniência com um governo corrupto e imoral é demoníaca, divide a igreja e tem pregado uma redenção meramente humana. A teologia bolsonarista está bem semelhante à teologia da libertação: a primeira tem tornado a cruz um mero detalhe em nome do anti-petismo e conservadorismo às avessas; a segunda, como todos sabemos, tornou a cruz periférica em detrimento de obras sociais e outras coisitas más;
5) Não passe a vergonha de comparar esse jejum com outros jejuns bíblicos determinados por Deus através de reis ou rainhas: não se compara. A não ser que você esteja se referindo ao jejum de Jezabel (leia I Reis). Aí sim...;
6) Bolsonaro e Lula são faces da mesma moeda no populismo: Lula é o populista de esquerda, que se apropria das ideias progressistas e dos movimentos sociais mesmo que não tenha nenhuma simpatia por eles. Bolsonaro se apropria de valores que não comunga e faz uso, inclusive, do pior do populismo: o religioso. Bolsonaro pode até ser casado com uma protestante, mas o guru dele odeia o protestantismo;
7) A ausência de críticas por parte da igreja evangélica ao governo atual que trata a crise como fantasiosa é uma afronta à história do protestantismo tanto pela raiz de nossa denominação, como pelo valor que sempre demos à ciência. Seguir cegamente um presidente que favorece o achismo em detrimento da ciência é cuspir na história protestante;
8) Várias igrejas ao redor do país já têm feito campanhas de jejum e oração. Se você não iniciou a campanha com alguma igreja e agora pensa em iniciar por causa da "SANTA CONVOCAÇÃO", me perdoe, mas você está lendo a bíblia errada e servindo a um anti-cristo. Se arrependa e sirva a Jesus.
9) Se seu pastor ou sua igreja vai seguir a SANTA CONVOÇÃO, cuidado: você PODE ESTAR seguindo um FALSO PROFETA. Reflita a respeito. Mude enquanto é tempo. Cuidado com a operação do erro lá de II Tessalonicenses.
10) Bolsonaro usa, frequentemente, João 8:32 sem saber, exatamente, do que trata a VERDADE daquele texto. Faz o mesmo com o texto bíblico da SANTA CONVOCAÇÃO quando não observa que Deus ouve nossas orações quando NOS HUMILHAMOS e NOS CONVERTEMOS DOS MAUS CAMINHOS.
Dito tudo isto, cuidado para seu jejum não virar apenas uma dieta. Não passe fome a toa. Isso não é um indicativo que não devemos jejuar amanhã, mas não o faça por causa da SANTA CONVOCAÇÃO do presidente. Leia a Bíblia!
Bruno Moreno
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