Ao final de 2019 decidimos, com Malu, que uma de suas metas para o ano seguinte seria ler o evangelho de Mateus. Começamos 2020 tentando, semanalmente, ler um capítulo por domingo. A leitura passou a ser bastante difícil e cansativa por diversas razões. Maria Luíza, como toda criança de 9 anos, fazia repetidas e incansáveis perguntas. Algumas bastante óbvias, mas, por vezes, também extremamente difíceis de serem respondidas de imediato.
Com as dificuldades, acabávamos não sendo frequentes na leitura semanal e isso passou tanto a me incomodar como a incomodá-la também. Por vezes fui cobrado, aos domingos, com um "Pai, e a nossa leitura juntinhos!?".
Foi no início da pandemia, então, que me planejei não somente em continuar com essa prática, mas em finalizar o livro ainda na quarentena. Pensei: "ora, se Mateus tem 28 capítulos e nós ja lemos 8, em menos de um mês conseguiremos ler todo o livro". Passei, portanto, a tentar fazer com que as leituras de cada capítulo fossem diárias e não mais semanais. Obviamente deu errado, afinal, quantidade não é qualidade.
As perguntas de Malu passaram a ser mais difíceis e me fizeram, Inclusive, observar detalhes no texto que eu nunca havia me perguntado ou a extrair reflexões que eu jamais havia feito. Foi aí que notei três coisas: primeiro, eu precisava elaborar um plano bíblico específico para ela, para a idade dela, para o nível de compreensão dela; segundo, eu tinha que ESTUDAR a porção bíblica do dia antes mesmo de ler com ela para, assim, TENTAR trazer respostas para suas perguntas bereianas; por fim, aquele tempo juntos precisava ser um tempo de meditação na Palavra, e não somente de estudo bíblico, eu precisava ensinar a minha filha a importância de uma leitura devocional diária.
E foi assim que decidi mudar a estratégia. Se continuassemos como estávamos, Malu tanto não se apaixonaria pela Palavra como, também, acabaria tendo sérios traumas do tempinho junto com o seu pai (faltou-me domínio próprio por vezes rsrsrs).
Foi assim que elaborei um plano com curtas porções DIÁRIAS baseado nas divisões de seções da Bíblia de Genebra (algumas porções, por exemplo, têm apenas 3 ou 4 versículos). Assim, o processo de ensino e aprendizagem da Palavra passou a ser bastante proveitoso. Foi incrível a diferença. Não somente eu passei a ensinar melhor como ela passou a aprender de forma mais leve e a se interessar ainda mais pelo que lia. Mais do que isso: as pequenas porções nos permitiu refletir, meditar, sobre o texto de forma bastante enriquecedora e a trazer valiosas lições para nossa vida prática. E isso diariamente.
Meus irmãos, como isso tem me fortalecido! Pela graça de Deus, e somente pela graça, posso dizer que em meio ao caos tenho tido tempo de conforto, consolo, conhecimento do Eterno e aprendizado teológico de alto nível com minha teóloga mirim (só quem é pai e/ou professor sabe que é ensinando que se aprende mais). Esse tempo não exclui a necessidadede um devocional pessoal, somente entre eu e Deus, mas o que posso dizer é que tem valido a pena pensar menos em quantidade e mais em qualidade nas leituras bíblicas. Digo isto porque é bastante comum que sejamos tão influenciados pelos valores deste mundo que até nossa vida espiritual e de estudo bíblico passa a ser direcionada pelos padrões de produtividade de um mundo pecaminoso. Precisamos reorientar nosso coração.
O maná apodrecia quando em quantidade excedida, os milagres dos pães e peixes foram realizados com a pouca quantidade. A qualidade das pequenas porções diárias PODEM ser extremamente significativas para nos dar um alimento espiritual sólido. Tudo depende de onde está, exatamente, nosso coração.
Bruno Moreno
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