domingo, 13 de novembro de 2022

Uma lição pra nossa geração

Hoje encontrei essa pérola no livro devocional que minha mãe usa há anos, um best-seller chamado Mananciais do Deserto (tem disponível na Amazon). Achei o texto muito oportuno pra nossa geração, que faz de tudo pra aparecer. Somos a geração que tem colocado pra fora, sem nenhum pudor, toda essa vontade não somente de ser visto, mas de sair do anonimato inclusive nas questões em que menos devemos aparecer, como na espiritualidade. O querido Rodrigo Bibo chama essa espiritualidade exposta nas redes de "espiritualidade circense".

Acha exagero? Basta lembrar de pessoas que fazem vídeos filmando a si mesmas enquanto oram ou aquelas que publicam suas ações nas redes. Não estou dizendo com isso que precisamos viver no anonimato, aliás, "não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte, nem se acende uma candeia e se coloca debaixo de um alqueire" (Mt. 5:16-17), a questão é: o vaso de barro não pode parecer ser mais valioso que o tesouro que ele guarda (2 Co. 4:7). Ou a vida de Cristo é obra de Cristo através de minha vida ou ela é um exercício de atuação (roubei essa frase de um podcast do Bibo Talk).

Precisamos fazer nossas obras não para que os outros vejam, porque se esse for o objetivo, nossa recompensa são apenas os views, likes, comentários e os compartilhamentos (Leia Mateus 6).

Por fim, não sei se a tradutora anônima é viva, mas ela continua nos abençoando. 

terça-feira, 8 de novembro de 2022

O choro de Jesus

 


O episódio da ressurreição de Lázaro tem sido frequentemente trazido à minha memória por diversas razões diante do sofrimento que eu e minha família temos passado desde que minha mãe foi diagnosticada com um câncer cerebral. Mas hoje, ao ver minha mãe chorar como tem ocorrido com certa frequência, e enquanto tentava consolá-la com a palavra de Lázaro, senti-me consolado. Não por causa da ressurreição, desta vez, mas por um simples fato que eu nunca havia dado a devida importância naquela história: Jesus chorou. O versículo mais curto da Bíblia quase passou despercebido para mim ao longo de toda minha caminhada na fé. Ele chorou mesmo sabendo que ressuscitaria Lázaro. O Criador e Salvador, aquele que é a própria ressurreição, chora por causa da morte de um amigo.

Eu imagino a cena e é inevitável não me colocar no lugar de Marta e Maria e não sentir alguns dos sentimentos que provavelmente elas sentiram. Veja só, elas devem ter se perguntado o que poderiam ter feito para evitar aquela tragédia. Quais cuidados poderiam ter tido para com a enfermidade do irmão? Que médicos poderiam ter contratado? Quais tratamentos poderiam ter tentado? Quais angústias o próprio Lázaro teria relatado para elas e elas, possivelmente, teriam ignorado ou pormenorizado?

Imagino, também, o sentimento de abandono: o Jesus que se dizia Deus, aquele pelo qual elas tinham “perdido” tanto tempo, sequer apareceu quando foi chamado. E quando apareceu, chegou tarde demais. Lázaro morreu e o milagre de sua cura não ocorrera. Foi só na morte que Jesus foi em direção a Lázaro. Jesus esperou que Lázaro morresse para reencontrá-lo. E no túmulo! Quando recebido pelas irmãs de Lázaro, ambas fizeram a mesma indagação: “Senhor, se estiveras aqui, não teria morrido meu irmão” (João 11:21,32).

Aquela Marta a qual normalmente alegamos ser “menos espiritual” do que a irmã por causa dos afazeres domésticos, é quem emenda a frase dizendo “Mas também sei que, mesmo agora [mesmo diante da morte], tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá.” (João 11:22). Após essa declaração de fé, Jesus declara o que iria ocorrer: “Teu irmão há de ressurgir” (v. 23). 

Já Maria, aparentemente sem fé naquele momento, simplesmente chora. E é após o choro de Maria que Jesus sente seu espírito agitado, fica comovido e chora também. Jesus chora com Maria. É como se estivesse sendo antecipado o que seria dito mais tarde por Paulo, aos Romanos: que o Espírito Santo, o mesmo que habita em Jesus, traduziu os gemidos inexprimíveis de Maria. E Jesus entendeu. E chorou. E vendo-o chorar, Maria deve ter se sentido consolada. E com Maria, eu sinto esse consolo.

Bruno Moreno
07/11/2022