quinta-feira, 29 de junho de 2023

Rotina de Milagres

 


Quando criança, costumava fazer um desenho de quatro casas em um terreno e dizia ser, aquele, um projeto futuro: uma casa para mamãe e as outras para cada filho. Em 2020, em meio à pandemia, mamãe se mudou para o mesmo prédio em que resido. Confesso que, sem aquele romantismo de criança, relances de “será que vai dar certo?” surgiram, mas mamãe, com todo seu sentimentalismo, por vezes trazia os desenhos à tona: “Só faltam Naty e Kiko pra realizar seu sonho de criança!”. 

O fato é que nos últimos dois anos fui abençoado com a presença diária de mamãe. Conviver com ela ainda mais intensamente nos trouxe um bálsamo de descanso e alegria, além, claro, de algumas preocupações rsrsrs. Tê-la conosco especialmente após o duro diagnóstico nos deu a certeza do cuidado de Deus. Foi um milagre realizado antes mesmo da doença. Quem vive debaixo da confiança do Eterno, vê milagres na rotina e passa a viver rotina de milagres.

Se ela abrisse uma cerveja gelada, ligava para dividir. Se fazíamos o peixe que ela gostava, nós ligávamos para ela. Se ela precisava de um favor, pedia sem ressalvas. E se queria companhia, fazia um café e me interfonava para acompanhá-la. Além das boas recordações, Deus me deu a graça de servir à minha mãe e de ser servido por ela de forma ainda mais intensa. Em muitos momentos ela foi nosso braço direito quando precisávamos trabalhar mais ou quando fazíamos longões de pedal aos sábados. Ela se entregou especialmente às nossas filhas de um modo diferente nesses últimos dois anos. E foi especialmente este fato (milagre!) que me fez refletir quando me deparei com esta foto: Ana, ao colo de mamãe, com um olhar que só me trás saudades. Quantas memórias minhas filhas criaram nos últimos dois anos! Milagre!

Não foram poucas as vezes em que me deparei com mamãe fazendo brigadeiro para Malu ou brincando com Ana ao chão. Fui agraciado com a DECISÃO de minha mãe em nos servir. Fui agraciado com o MILAGRE de Deus em trazê-la para junto de mim realizando um sonho de criança que eu sequer alimentava mais. Fui agraciado com uma nova perspectiva a respeito da promessa do quarto mandamento: Deus me deu vida longa para poder cuidar de minha mãe. É graça. É milagre!


terça-feira, 25 de abril de 2023

No passado uma menção

 NO PASSADO, UMA MENÇÃO


Não tem combinação

Quando estou a conjugar

No passado, uma menção

De teu nome a citar


A angústia logo me invade

E com carinho, minha lembrança

Que acompanha a saudade

E com choro na garganta


E por mais que no presente

Com a saudade a lembrar

Me sinto como quem mente

Se no passado te mencionar


Pois é no futuro que se descansa

E em melhor colo estaremos

E a saudade, que me alcança

Um dia em Deus, entregaremos

Bruno Moreno, 23/04/2023

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Soneto da Saudade

Da insistência na ligação 

E da presença quando precisei

Do amor, que pouco mostrei

E do exemplo em dedicação 


Do tempero, que eu sinto falta

O "Ô meu filho", que nunca parava

Do temperamento, que a fome matava

E o estar disponível, só por tua causa


É sempre um aperto em meu coração

De uma nova saudade insistente em voltar 

Outrora anônima nessa implicação 


E quando eu penso, logo eu choro

E queria em sonho logo resolver 

O que se resolveria logo em teu col

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Tela Branca




- Professor, a tela ficou branca de tanto eu tentar entrar no sistema.

Era o que dizia Dona Maria (nome fictício) em um dos inúmeros áudios. Não costumo compartilhar meu contato pessoal com alunos, mas há exceções para aqueles com mais dificuldade. 

Dona Maria era uma senhora muito esforçada e que já tinha curso superior. Ela teria se matriculado em um dos cursos técnicos na modalidade EAD da instituição para continuar se capacitando. 

Marquei o encontro no campus para tentar auxiliá-la no uso do computador. Um notebook Positivo bem antigo.

- São os estudos que me libertam de mim mesma, professor - disse ela com os olhos azuis, já marejados, firmes e fitos nos meus.

O estado da tela do notebook mostrava o óbvio: o problema não teria sido causado por tentativas insistentes para entrar no ambiente virtual de aprendizagem. Mas ela, no alto dos seus 60 anos, dizia ter conseguido, em casa, fazê-lo "voltar a vida", como ela mesma dizia, apertando algumas teclas. Obviamente, nada acontecia com suas tentativas em minha frente.

Depois de uma breve atenção ao seu Positivo antigo, e já compreendendo um pouco o quadro geral no qual eu me deparara, tanto técnico quanto humano, tentei escolher as palavras certas para dizer a Dona Maria que ela deveria levar o notebook para que um técnico o avaliasse. As palavras que julguei certas serviram, no entanto, de gatilho para que Dona Maria abrisse seu coração para o jovem professor à sua frente. Seu choro embalou seu desabafo em meio às agruras que me contava. De professor, passei a ser ouvinte e conselheiro. 

Mais que auxílio técnico ou docente, Dona Maria queria ser ouvida. Atrás daquela "sanha" por estudos escondia-se o medo da solidão, do abandono, da depressão. O medo dela mesma. 

À Dona Maria, e a todos que têm medo, e sentem o peso da vida, Jesus diz: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo. Deixem que eu lhes ensine, pois sou manso e humilde de coração, e encontrarão descanso para a alma. Meu jugo é fácil de carregar, e o fardo que lhes dou é leve” (Mateus 11:28‭-‬30).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A vida é um sopro


A VIDA É UM SOPRO.

Nos últimos dias, diante do contexto que temos vivido com mamãe, refleti sobre uma porção bíblica que, pra mim, nunca foi um dilema: os Salmos 91. O dilema: aquele que habita no abrigo do Altíssimo e encontra descanso na Sua sombra, será livrado das armadilhas da vida e protegido das doenças mortais. "Mas por que temos sido assolados por doença tão mortal?". Por dois dias, antes de dormir, preferi ceder ao sono a ficar conjecturando as razões de, supostamente, não estarmos vivendo a promessa. Nos versículos finais do Salmo estava a resposta que minha falta de fé não me permitia ver.

Na noite seguinte a um desses dias de dilema, me deparei com a concretização daqueles versículos finais que, incrédulo, lia mas não enxergava. O impasse foi solucionado de forma trágica: minha sobrinha e seu namorado sofreram um grave acidente e tiveram suas vidas preservadas de forma milagrosa. Deus demonstrou estar com eles em meio à dificuldade de um carro capotado assim como tem demonstrado estar conosco em meio à tragédia do câncer.

Eles poderiam não ter sido livrados assim como minha própria mãe não o foi. Mas esse é um ponto de vista limitado. Deus decidiu livrá-los. À minha mãe, Deus tem dado dia a dia uma nova porção, seja o da própria vida, seja os inúmeros fatos circunstanciais: as coincidências, as pessoas, o sustento espiritual, financeiro, e tantos outros que nos espantam no cotidiano. Ao chegar à cena do acidente, meu dilema estava solucionado. Estava posto nos meus olhos: a promessa, na real, é sermos libertos da doença que mata a alma, é libertar-nos de nós mesmos, é livrar os que crêem, os que se colocam na sombra do Altíssimo, da morte eterna.

Quando minha mãe estava mais chorosa, com medo, eu dizia a ela que ninguém saberia quando ela partiria, que eu ou qualquer outro membro da família, poderia sofrer um acidente e partir antes dela. O acidente me fez lembrar disso. E me levou a outro salmo, o Salmo 103: a vida é um sopro. Em tempos de Carnaval, desejo que você encontre alegria que a festa, nem o alcool, nem mesmo o sexo dá. Uma alegria que dura mais do que 3 ou 4 dias de farra e te livra da morte eterna.

Bruno Moreno
20/02/2023

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Lágrima convertida em oração

 O choro é a solução


A inspiração para essa #poesia me veio quando vi meu sobrinho, de 11 anos, inconsolável no colo de sua avó, minha mãe, se despedindo sob as dúvidas e incertezas da vida. A poesia é dedicada a ele, mas também aos que não sabem mais como orar e só choram.

Quando o choro é a única solução
É quando a fé parece não mais atuar
A lágrima converte-se em oração
E as palavras dão lugar ao soluçar

É quando a dor a Deus é traduzida
É no profundo, no gemido da minha'alma
Uma oração que no choro é conduzida
A lágrima silenciosa que me lava

É na pequenez da gota meu gemido 
Que o caráter em si mesmo se mostra
Que no Espírito traduz que sou remido
E que a vida não se limita nessa amostra

O gemido, então, o Espírito traduz
E o choro passa a ser a minha prece
Minha alma, a Ti Ele conduz
E meu coração, a Ti Ele converte

Bruno Moreno, 08/02/2023

Plano infalível pra lidar com um plano falido

 Plano infalível pra lidar com um plano falido


Para quem crê, um plano falido deve ensinar muito. Há exatos dois anos refleti sobre isso em meio a um plano frustrado. Hoje, em situação semelhante, lembrei daquela reflexão. Enumerei 6 pontos, mas a lista de ensinamentos é maior:

1. Temos total responsabilidade sobre o plano, mas é Deus quem determina se ele dará certo. 

"É da natureza humana fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor." (Provérbios 16:1)

2. Devemos confiar e expressar, intencionalmente, essa confiança (≠ de superstição ou "palavra tem poder"). 

"Entregue seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele o ajudará." (Sl 37:5)

"O que devem dizer é: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isso ou aquilo”." (Tg 4:15)

3. Ou seja, é algo como: "entrega teu caminho ao Senhor, confia nele, Ele te ajudará, e se Ele quiser, dará certo". Se der errado, e se você ama ao Senhor, considere que deu errado para o seu bem.

"Todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam" (Romanos 8:28)

4. Não use a ocasião do "erro" p/ imitar os q ñ amam ao Senhor: confie no Deus da provisão e lute contra sua constante insatisfação.

"Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar" (Rm 12:2a)

5. A falha é mais uma oportunidade que Deus lhe deu pra colocar sua fé em prática: para que você compreenda, e confie, de forma alegre, que era exatamente a falha do seu plano que traria o bem pra você e para os seus. 

"Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês. (Rm 12:2)

6. As consequências da falha (as provações, os prejuízos, as angústias, o replanejamento, a insônia, e etc) são exatamente o que te farão melhor e mais maduro e, quem sabe, "se o Senhor quiser", o que te ajudará, um dia, a ter um plano bem sucedido.

"Considerem motivo de alegria sempre qualquer provação. Quando sua fé é provada, a perseverança tem a oportunidade de crescer. E é necessário que ela cresça, pois quando estiver plenamente desenvolvida vocês serão maduros e completos, sem que nada lhes falte." Tiago 1:2-4

🙌

Bruno Moreno

Casa Manoel Moraes

Casa Manoel Moraes 

Os carros em velocidade
Mesmo assim não tiravam a paz
Nem muito menos a felicidade
Da Casa Manoel Moraes

Na rua, cada pedra um pé
Batizou com uma topada 
Esconde esconde, pega-pega, pelada
E dez voltas arrodeando a praça.

A casa era toda mistérios
Que casarão, eu penso agora
Três pavimentos se for ver é verdade
E até banco de cimento lá fora

Garagem tinha à vontade 
E a ladeira pra gente brincar
Bicicleta e carrinho com pedal
A gente descia sem se machucar

Na verdade, preocupação não se tinha
Quando logo a gente ouvia
Que a sexta estava chegando
E íamos para casa de voinha

Daquela casa vez em quando me lembro
E até o sono eu vou perdendo
Em meio a risadas, sozinho, eu choro
Tendo lembrança de cada aposento

Tinha uns cantos que me davam medo 
O quarto logo na entrada
Sempre escuro com coisas do vô
"Sai daí menino, deixa porta fechada"

O jardim enorme da nossa voinha
Castanhola e limão do pará
Se dava medo quando tava escuro
Quando de dia, sonhava em não acabar

E aquela sala que era enorme
Sofá todo de alvenaria 
Foi ali, ao pé da escadinha
Que Baggio me deu a maior alegria

Aquele “é tetra” ficou na minha mente
Agradeci a Deus e me vi chorando
Me ajoelhei no terraço à frente
Com toda família, todos gritando

Se o quarto de Beia tinha gente
A porta de vidro logo anunciava
E a alegria já me vinha em mente
Que com os primos me acompanhava

Quantas histórias com cada querido
“Xiii, sobe essa escada bem devagar”
E vovó silenciava no grito:
“E de ponta de pé pra vovô não acordar”

O objetivo era escorregar
E sentir o coração pela boca sair
No corrimão sem desconcentrar
Um pingo de medo não tinha de cair

Aquele quarto de voinho e voinha
O colchão era até encomendado
A cama toda de alvenaria
Pra que desse neto por todo o lado

O ar condicionado tinha tempo contado
Com vovô na rede na hora de dormir
O cheiro de lá até hoje eu guardo
Até o que vó Luza deixava escapulir

Aquela casa não existe mais
Agora não é mais rua fechada
Mas sempre sinto a mesma paz
Quando passo na rua Manoel Moraes

Mas que coisa boa essa minha lembrança
Mas que bons valores nossos avós nos deixou
A casa virou símbolo da nossa infância
Que o novo prédio nunca nos arrancou

segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

Cônjuge

CÔNJUGE

Conjugue amar
Julgue sentir
Mas é servir
Ceder, cuidar

Conjugue amar
Julgue paixão 
Mas é dar a si
Em abnegação 

Conjugar amar?
É redundante 
Conjugar é amar
Para os amantes

Conjugar, amar
É união em celebração 
É poesia, é devoção

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Zero paz, ciência.

Zero paz, ciência
Do que eu fazia
Paz, ciência zero
Da hipocrisia

Antes, não importa
O que eu curtia 
Mas agora só
Minha antipatia

Zero paciência 
Bem sinceramente 
Paciência zero
Silenciar, somente 

Aquele meu irmão
Que meu espelho mostra
O confronto, então
Só pelas suas costas

Zero paz, ciência
Que era um bom amigo
Paciência zero
Já não tá mais comigo

Bruno Moreno, 11/01/23

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Deus é bom?

Tenho olhado para as circunstâncias e perguntado onde está o Senhor. Tenho sentido medo, pensamentos sombrios passam pela minha mente e faço perguntas nunca antes feitas. Tenho sido sempre desafiado a não crer e me vejo numa situação de impossibilidade: aos que crêem, tendo de fato crido, “não crer” não é uma simples escolha, é desobediência convicta. É como olhar para o sol, negar sua força, sua beleza e seu poder, simplesmente porque não gosta de como o mesmo queima a sua pele. O sol continuará existindo.

Como negarei ao Senhor que me deu a vida? Como negarei àquele que me transformou? Como negarei a bondade depositada em Jesus e através de Jesus, responsável pela minha transformação? Como o negarei? Como?

Não quero ser espiritualmente presunçoso. Mas quando olho às circunstâncias que temos vivido, me sinto agraciado, juntamente com minha família, por Deus não me permitir não crer.

Um dia, ao final de uma aula, uma aluna me perguntou por que sempre finalizo meus textos com #DeusÉBom?. Minha resposta parece óbvia aos que crêem, embora não o seja para os que convivem com a dor e sofrimento: “porque Ele é bom o tempo todo”.

Dias bons e ruins sempre existirão. Deus criou ambos. Vivê-los sem essa certeza seria pior do que as próprias circunstâncias. Hoje não é um dia bom para nossa família. Quando minha mãe foi diagnosticada com o Glioblastoma, a única certeza que os médicos nos deram foi que o tumor voltaria. A frase: “O tumor vai voltar!” foi uma constante em consultórios. Hoje fomos surpreendidos pelo esperado. Ao ouvir o resultado, imediatamente me veio em mente: “Deus é bom!”. É tão óbvio quando desafiador.

Entende como isso é profundamente angustiante e ao mesmo tempo consolador? Deus é bom em meio a tudo isso? 

Sim. Posso não entender completamente a razão de coisas ruins acontecerem. Mas hoje, creio com ainda mais convicção que Deus é bom na dificuldade, na angústia, na porta fechada, na falta de dinheiro, no diagnóstico difícil e até no caixão que desce. Deus é bom em meio às minhas perguntas tolas, em meio ao meu lamento e na presença da morte. Deus é muito bom e eu confio nele! #DeuséBom

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Silêncio



Silêncio. "Não ouço minha voz". Quadro e lápis. Leitura labial. Esquece chuveiro aberto. Implante coclear. "Não poderá ressonância". TC das carótidas. Cirurgia realizada. "Ouvido esquerdo sem resposta sensorial". Faixa de compressão. Ligação do aparelho. "Tou ouvindo minha voz? É minha voz?". Esperança. Fonoterapia. São João. Família. Graça. Vida voltando. Primeira praia. Última. Sono, esquecimento, tristeza. Depressão? Perda de memória. Alzheimer? "Tem alguma coisa na minha cabeça, meu filho". "Não tem, mãe, prometo". Edema no cérebro. "Calma, meu irmão. Tem que ver o que tem debaixo". Medo. Google. Viagem cancelada. "Deus está no controle". Decadron. Urgência. Diagnóstico. Luto. Perguntas difíceis. "Foi a causa da surdez?". "Sobrevida?". "Como será a morte?". "Ela vai sofrer, definhar?". Sonhos, futuro. Funeral? “Porque ele vive”. “Um dia de cada vez”. Visitas. Perdão. Amor. Família. Amigos. Ausências. Igreja. Sustento. Cuidado. 04 de agosto. “Sê Forte e Corajosa”. 67 anos. Torta de morango. Entrada flexibilizada. Barulho, chororô e Risos. "Silêncio!". Máscaras inclusivas. Teresina. "Chegaram!". Choro de Alegria. “Não apresse o rio”. "The Butterfly". Cirurgia. Varanda. Clamor. Milagre. Artes. Medo. “Aquele que te guarda não dorme”. Ansiedade. "Foram tantas responsabilidades em cima de você, meu filho". Despedida. “Tamanho de um limão”. Linha média. "Sem visão periférica e profundidade". Cicatriz. UTI. Abandono. “Não estou ouvindo nada”. Desespero. Choro. "Não quero ficar só". GBM IV. Google. Patologia. Selvagem. KI67. Himunohistoquimico. "Ela é surda". Direito a acompanhante. Convulsão. Trombos. Veia cava. Ambulância. Idas e vindas. 36 dias. Quarto andar. Sexto andar. "Me dá sua mão". “Fica comigo”. “Não me deixe só”. “Estou do outro lado”. “Sem vocês vou desistir”. Desesperança. Silêncio. Culpa. “Na saúde e na doença”. Amor pra vida toda. Cabedelo. Presente. Fim? Cuidados paliativos. “Não voltará para casa”. Milagre. Acordou. “Deus é Deus”. Louvores. Conversas. Risos. Caminhadas. Alta Hospitalar. Nova Tereza. Novo eu. Novo nós. 

Dias e anos bons e ruins sempre existirão. Mas pior seria vivê-los sem ter o Amanhã. Sem crer no Amanhã. O Amanhã virá. Feliz 2023.