quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Casa Manoel Moraes

Casa Manoel Moraes 

Os carros em velocidade
Mesmo assim não tiravam a paz
Nem muito menos a felicidade
Da Casa Manoel Moraes

Na rua, cada pedra um pé
Batizou com uma topada 
Esconde esconde, pega-pega, pelada
E dez voltas arrodeando a praça.

A casa era toda mistérios
Que casarão, eu penso agora
Três pavimentos se for ver é verdade
E até banco de cimento lá fora

Garagem tinha à vontade 
E a ladeira pra gente brincar
Bicicleta e carrinho com pedal
A gente descia sem se machucar

Na verdade, preocupação não se tinha
Quando logo a gente ouvia
Que a sexta estava chegando
E íamos para casa de voinha

Daquela casa vez em quando me lembro
E até o sono eu vou perdendo
Em meio a risadas, sozinho, eu choro
Tendo lembrança de cada aposento

Tinha uns cantos que me davam medo 
O quarto logo na entrada
Sempre escuro com coisas do vô
"Sai daí menino, deixa porta fechada"

O jardim enorme da nossa voinha
Castanhola e limão do pará
Se dava medo quando tava escuro
Quando de dia, sonhava em não acabar

E aquela sala que era enorme
Sofá todo de alvenaria 
Foi ali, ao pé da escadinha
Que Baggio me deu a maior alegria

Aquele “é tetra” ficou na minha mente
Agradeci a Deus e me vi chorando
Me ajoelhei no terraço à frente
Com toda família, todos gritando

Se o quarto de Beia tinha gente
A porta de vidro logo anunciava
E a alegria já me vinha em mente
Que com os primos me acompanhava

Quantas histórias com cada querido
“Xiii, sobe essa escada bem devagar”
E vovó silenciava no grito:
“E de ponta de pé pra vovô não acordar”

O objetivo era escorregar
E sentir o coração pela boca sair
No corrimão sem desconcentrar
Um pingo de medo não tinha de cair

Aquele quarto de voinho e voinha
O colchão era até encomendado
A cama toda de alvenaria
Pra que desse neto por todo o lado

O ar condicionado tinha tempo contado
Com vovô na rede na hora de dormir
O cheiro de lá até hoje eu guardo
Até o que vó Luza deixava escapulir

Aquela casa não existe mais
Agora não é mais rua fechada
Mas sempre sinto a mesma paz
Quando passo na rua Manoel Moraes

Mas que coisa boa essa minha lembrança
Mas que bons valores nossos avós nos deixou
A casa virou símbolo da nossa infância
Que o novo prédio nunca nos arrancou

Nenhum comentário:

Postar um comentário