domingo, 26 de fevereiro de 2023

Tela Branca




- Professor, a tela ficou branca de tanto eu tentar entrar no sistema.

Era o que dizia Dona Maria (nome fictício) em um dos inúmeros áudios. Não costumo compartilhar meu contato pessoal com alunos, mas há exceções para aqueles com mais dificuldade. 

Dona Maria era uma senhora muito esforçada e que já tinha curso superior. Ela teria se matriculado em um dos cursos técnicos na modalidade EAD da instituição para continuar se capacitando. 

Marquei o encontro no campus para tentar auxiliá-la no uso do computador. Um notebook Positivo bem antigo.

- São os estudos que me libertam de mim mesma, professor - disse ela com os olhos azuis, já marejados, firmes e fitos nos meus.

O estado da tela do notebook mostrava o óbvio: o problema não teria sido causado por tentativas insistentes para entrar no ambiente virtual de aprendizagem. Mas ela, no alto dos seus 60 anos, dizia ter conseguido, em casa, fazê-lo "voltar a vida", como ela mesma dizia, apertando algumas teclas. Obviamente, nada acontecia com suas tentativas em minha frente.

Depois de uma breve atenção ao seu Positivo antigo, e já compreendendo um pouco o quadro geral no qual eu me deparara, tanto técnico quanto humano, tentei escolher as palavras certas para dizer a Dona Maria que ela deveria levar o notebook para que um técnico o avaliasse. As palavras que julguei certas serviram, no entanto, de gatilho para que Dona Maria abrisse seu coração para o jovem professor à sua frente. Seu choro embalou seu desabafo em meio às agruras que me contava. De professor, passei a ser ouvinte e conselheiro. 

Mais que auxílio técnico ou docente, Dona Maria queria ser ouvida. Atrás daquela "sanha" por estudos escondia-se o medo da solidão, do abandono, da depressão. O medo dela mesma. 

À Dona Maria, e a todos que têm medo, e sentem o peso da vida, Jesus diz: “Venham a mim todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo. Deixem que eu lhes ensine, pois sou manso e humilde de coração, e encontrarão descanso para a alma. Meu jugo é fácil de carregar, e o fardo que lhes dou é leve” (Mateus 11:28‭-‬30).

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

A vida é um sopro


A VIDA É UM SOPRO.

Nos últimos dias, diante do contexto que temos vivido com mamãe, refleti sobre uma porção bíblica que, pra mim, nunca foi um dilema: os Salmos 91. O dilema: aquele que habita no abrigo do Altíssimo e encontra descanso na Sua sombra, será livrado das armadilhas da vida e protegido das doenças mortais. "Mas por que temos sido assolados por doença tão mortal?". Por dois dias, antes de dormir, preferi ceder ao sono a ficar conjecturando as razões de, supostamente, não estarmos vivendo a promessa. Nos versículos finais do Salmo estava a resposta que minha falta de fé não me permitia ver.

Na noite seguinte a um desses dias de dilema, me deparei com a concretização daqueles versículos finais que, incrédulo, lia mas não enxergava. O impasse foi solucionado de forma trágica: minha sobrinha e seu namorado sofreram um grave acidente e tiveram suas vidas preservadas de forma milagrosa. Deus demonstrou estar com eles em meio à dificuldade de um carro capotado assim como tem demonstrado estar conosco em meio à tragédia do câncer.

Eles poderiam não ter sido livrados assim como minha própria mãe não o foi. Mas esse é um ponto de vista limitado. Deus decidiu livrá-los. À minha mãe, Deus tem dado dia a dia uma nova porção, seja o da própria vida, seja os inúmeros fatos circunstanciais: as coincidências, as pessoas, o sustento espiritual, financeiro, e tantos outros que nos espantam no cotidiano. Ao chegar à cena do acidente, meu dilema estava solucionado. Estava posto nos meus olhos: a promessa, na real, é sermos libertos da doença que mata a alma, é libertar-nos de nós mesmos, é livrar os que crêem, os que se colocam na sombra do Altíssimo, da morte eterna.

Quando minha mãe estava mais chorosa, com medo, eu dizia a ela que ninguém saberia quando ela partiria, que eu ou qualquer outro membro da família, poderia sofrer um acidente e partir antes dela. O acidente me fez lembrar disso. E me levou a outro salmo, o Salmo 103: a vida é um sopro. Em tempos de Carnaval, desejo que você encontre alegria que a festa, nem o alcool, nem mesmo o sexo dá. Uma alegria que dura mais do que 3 ou 4 dias de farra e te livra da morte eterna.

Bruno Moreno
20/02/2023

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

Lágrima convertida em oração

 O choro é a solução


A inspiração para essa #poesia me veio quando vi meu sobrinho, de 11 anos, inconsolável no colo de sua avó, minha mãe, se despedindo sob as dúvidas e incertezas da vida. A poesia é dedicada a ele, mas também aos que não sabem mais como orar e só choram.

Quando o choro é a única solução
É quando a fé parece não mais atuar
A lágrima converte-se em oração
E as palavras dão lugar ao soluçar

É quando a dor a Deus é traduzida
É no profundo, no gemido da minha'alma
Uma oração que no choro é conduzida
A lágrima silenciosa que me lava

É na pequenez da gota meu gemido 
Que o caráter em si mesmo se mostra
Que no Espírito traduz que sou remido
E que a vida não se limita nessa amostra

O gemido, então, o Espírito traduz
E o choro passa a ser a minha prece
Minha alma, a Ti Ele conduz
E meu coração, a Ti Ele converte

Bruno Moreno, 08/02/2023

Plano infalível pra lidar com um plano falido

 Plano infalível pra lidar com um plano falido


Para quem crê, um plano falido deve ensinar muito. Há exatos dois anos refleti sobre isso em meio a um plano frustrado. Hoje, em situação semelhante, lembrei daquela reflexão. Enumerei 6 pontos, mas a lista de ensinamentos é maior:

1. Temos total responsabilidade sobre o plano, mas é Deus quem determina se ele dará certo. 

"É da natureza humana fazer planos, mas a resposta certa vem do Senhor." (Provérbios 16:1)

2. Devemos confiar e expressar, intencionalmente, essa confiança (≠ de superstição ou "palavra tem poder"). 

"Entregue seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele o ajudará." (Sl 37:5)

"O que devem dizer é: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isso ou aquilo”." (Tg 4:15)

3. Ou seja, é algo como: "entrega teu caminho ao Senhor, confia nele, Ele te ajudará, e se Ele quiser, dará certo". Se der errado, e se você ama ao Senhor, considere que deu errado para o seu bem.

"Todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam" (Romanos 8:28)

4. Não use a ocasião do "erro" p/ imitar os q ñ amam ao Senhor: confie no Deus da provisão e lute contra sua constante insatisfação.

"Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar" (Rm 12:2a)

5. A falha é mais uma oportunidade que Deus lhe deu pra colocar sua fé em prática: para que você compreenda, e confie, de forma alegre, que era exatamente a falha do seu plano que traria o bem pra você e para os seus. 

"Não imitem o comportamento e os costumes deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma mudança em seu modo de pensar, a fim de que experimentem a boa, agradável e perfeita vontade de Deus para vocês. (Rm 12:2)

6. As consequências da falha (as provações, os prejuízos, as angústias, o replanejamento, a insônia, e etc) são exatamente o que te farão melhor e mais maduro e, quem sabe, "se o Senhor quiser", o que te ajudará, um dia, a ter um plano bem sucedido.

"Considerem motivo de alegria sempre qualquer provação. Quando sua fé é provada, a perseverança tem a oportunidade de crescer. E é necessário que ela cresça, pois quando estiver plenamente desenvolvida vocês serão maduros e completos, sem que nada lhes falte." Tiago 1:2-4

🙌

Bruno Moreno

Casa Manoel Moraes

Casa Manoel Moraes 

Os carros em velocidade
Mesmo assim não tiravam a paz
Nem muito menos a felicidade
Da Casa Manoel Moraes

Na rua, cada pedra um pé
Batizou com uma topada 
Esconde esconde, pega-pega, pelada
E dez voltas arrodeando a praça.

A casa era toda mistérios
Que casarão, eu penso agora
Três pavimentos se for ver é verdade
E até banco de cimento lá fora

Garagem tinha à vontade 
E a ladeira pra gente brincar
Bicicleta e carrinho com pedal
A gente descia sem se machucar

Na verdade, preocupação não se tinha
Quando logo a gente ouvia
Que a sexta estava chegando
E íamos para casa de voinha

Daquela casa vez em quando me lembro
E até o sono eu vou perdendo
Em meio a risadas, sozinho, eu choro
Tendo lembrança de cada aposento

Tinha uns cantos que me davam medo 
O quarto logo na entrada
Sempre escuro com coisas do vô
"Sai daí menino, deixa porta fechada"

O jardim enorme da nossa voinha
Castanhola e limão do pará
Se dava medo quando tava escuro
Quando de dia, sonhava em não acabar

E aquela sala que era enorme
Sofá todo de alvenaria 
Foi ali, ao pé da escadinha
Que Baggio me deu a maior alegria

Aquele “é tetra” ficou na minha mente
Agradeci a Deus e me vi chorando
Me ajoelhei no terraço à frente
Com toda família, todos gritando

Se o quarto de Beia tinha gente
A porta de vidro logo anunciava
E a alegria já me vinha em mente
Que com os primos me acompanhava

Quantas histórias com cada querido
“Xiii, sobe essa escada bem devagar”
E vovó silenciava no grito:
“E de ponta de pé pra vovô não acordar”

O objetivo era escorregar
E sentir o coração pela boca sair
No corrimão sem desconcentrar
Um pingo de medo não tinha de cair

Aquele quarto de voinho e voinha
O colchão era até encomendado
A cama toda de alvenaria
Pra que desse neto por todo o lado

O ar condicionado tinha tempo contado
Com vovô na rede na hora de dormir
O cheiro de lá até hoje eu guardo
Até o que vó Luza deixava escapulir

Aquela casa não existe mais
Agora não é mais rua fechada
Mas sempre sinto a mesma paz
Quando passo na rua Manoel Moraes

Mas que coisa boa essa minha lembrança
Mas que bons valores nossos avós nos deixou
A casa virou símbolo da nossa infância
Que o novo prédio nunca nos arrancou