O dia em que minha mãe me pariu de novo.
Em pleno dia de aniversário de 67 anos da minha mãe, ela me pariu de novo. Sim, foi naquele 04 de agosto, que ao longo dos meus trinta e sete anos venho comemorando o aniversário de minha “veinha”, me senti nascendo novamente. E a causa disso foi o diagnóstico de um tumor cerebral, dito agressivo, na aniversariante.
Naquele dia fui surpreendido por uma notícia devastadora e, no turbilhão de emoções, e a cada nova notícia, lágrimas escorriam de um poço sem fim que parecia ficar cheio a cada nova informação sobre o tumor, a cada lapso de memória de minha mãe, a cada sentimento de culpa gerado, sem contar a tsunami de medo, expectativas e desconhecido.
Mas do choro acompanhado de conversas sinceras com o meu Deus, um renascimento surgiu. Minha mãe acabou me parindo de novo. Tem sido um renovo milagroso, fé e convicções renovadas.
É que em meio ao mistério das circunstâncias em que fomos colocados por Deus, me vi com uma fé renovada e alicerçada no que diz o capítulo 8 do livro bíblico de Romanos. É difícil separar as partes que mais têm falado comigo durante esses longos quatro ou cinco dias e, por isso, incentivo você a ler o referido capítulo ao final desse texto e refletir comigo, levando em consideração toda a situação em que estamos vivenciando.
Um breve resumo em minhas palavras poderia ser assim: se Deus é por nós, um tumor pode ser contra nós? (pergunta retórica!) Afinal, todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus! Um tumor - ou melhor - um glioblastoma (seja ele grau I, II, III ou IV) pode nos separar do amor de Deus? (pergunta retórica!) É um sofrimento muito grande? Enorme! Mas ele não pode ser comparado com a glória que há de vir! E quando eu apenas “uivo” em meu choro diante do Senhor, como aquele meu choro é compreendido pelo meu Deus? Ele é feito através de “gemidos inexprimíveis” pelo Espírito Santo, e isso é feito de acordo com a vontade de Deus. Deus sabe como eu oro até quando eu não consigo orar e simplesmente só faço gemer (como tenho feito constantemente).
Em todas as coisas eu sou mais que vencedor!
Isso tem me ensinado que a ciência pode até definir a velocidade com que as células malignas no cérebro de minha mãe se multiplicam, mas independentemente disso, tanto a ciência como a doença se submetem à vontade do Senhor! Acima de qualquer conhecimento, mistério ou dilema, a verdade absoluta é a de que Deus me ama e cuida de mim e de minha família com amor indizível. Ele é soberano e a sua verdade é boa, perfeita e agradável.
Ler até aqui sem a profunda certeza da salvação em Cristo Jesus deve ter feito você menear a cabeça ou pensar que essa fé é o anestésico para tamanho sofrimento que eu e minha família vimos sofrendo. Quanto a isso, eu respondo o que o mesmo capítulo de Romanos me ensina: que através desse sofrimento, e dessa convicção de fé, eu sei que sou filho de Deus. E isso me conforta e me traz ainda mais esperança: se sou filho, é o que diz o texto, sou co-herdeiro com Cristo, tanto nesse sofrimento como na glória (que é futura, eterna).
Aprofundar-se nas verdades desse texto em meio a dor faz toda diferença nesse momento tão doloroso. Não pense, com isso, que tem sido bom saber que minha mãe tem um tumor no cérebro que pode levá-la repentinamente (e precocemente), ou deixá-la deficiente. Não pense que tem sido fácil. Tenho chorado diariamente e acordo-me todos os dias sentindo-me muito mal e angustiado. Mas preciso dizer também que tenho sido consolado pelo Senhor. Tenho sofrido muito. Mas preciso dizer que sinto um milagre dentro de mim que só pode ser explicado pelas orações daqueles que dizem estar orando por nós. Isso não implica dizer que não temos sofrido. Angustia-me, por exemplo, pensar na possibilidade de não acompanhar minha primogênita aprendendo as artes manuais com sua avó paterna que sempre gostou de lhe ensinar. Do mesmo modo, em supor que minha caçula pode não mais brincar de jogo da memória ou de Uno com ela. Não quero nem imaginar como será se estivermos perto o dia em que na hora do almoço não irei mais escutar a minha esposa dizer algo como: “Será que sua mãe não quer almoçar conosco hoje”?
Não tem sido fácil. Mas a verdade bíblica tem me ensinado a ir além: o milagre já foi feito! Eu renasci, meu irmão! E não pense que esse seja um discurso de um derrotado que não crê na cura. Eu nunca cri tanto! Essa tem sido minha oração diária e constante! Oro para que os médicos “abram a cabeça de minha mãe” e tenham a “mente aberta” para o milagre realizado sem que suas mãos tenham entrado em intervenção. Minha oração tem sido por cura porque eu sei que essa cura vem independente de intervenção humana ou da ciência. Ela depende unicamente da vontade de Deus. Sei que vem de Deus tanto o querer como o realizar e que não há nada sobre o qual a Sua poderosa mão não seja capaz de fazer. Tenho orado por isso e sei que a oração do justo pode muito em seus efeitos. Mas o maior milagre Deus já fez em mim: eu estava morto e quem foi curado foi eu.
Ore por nós, ore por minha mãe. A cirurgia é hoje, às 18h. Deus está no controle.
Bruno Moreno, filho de Dona Tereza!
João Pessoa, 08 de agosto de 2022

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