quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Estamos livres!

Acordamos em um país livre. E me agradeçam também por isso, talkei? 

Essa era a verdade que liberta, que vocês tanto ignoraram. Em apenas dois anos o Brasil está livre da corrupção! 

Para que um COAF que impede lavagem de dinheiro? Estamos livres!

Para que um Ministério Público independente? Estamos livres! 

Para que uma Polícia Federal forte? Estamos livres!

Para que, afinal, uma Lava-Jato? ESTAMOS LIVRES, MÊU!!! ESTAMOS LIVRES!!!

Vejam que evolução: universidades deixaram de ensinar ideologia.

A de gênero? Tá repreendido!!!

A ciência se rendeu à gripezinha (aliás, currículo acadêmico agora é só CTRL+C, CTRL+V).

As igrejas receberam ofertas volumosas. O que nos ajuda ainda mais a doutrinar sem a necessidade das patéticas escolas bíblicas dominicais! 

Quantos homens e mulheres de Deus estão no governo? Resposta de oração!

Temos pastores ministros de Estado. Quem diria!? Brevemente, oxalá, ou melhor, se deux permitir, um sacerdote terrivelmente cristão fará parte do STF! 

É por isso, meus irmãos e irmãs, que o Renan, o Gilmar e o Toffoli se converteram!

E eu tenho fé que não teremos apenas orações antes de cada sessão. Iremos além: colocaremos a declaração dos cinco solas na parede da esquerda, um quadro de um shofar na da direita e, claro, trocaremos a Cruz que fica atrás do comunista e incrédulo do Fux, que pensa que não somos mais livres, pela imagem do Messias que, sim, sangrou por nós e operou o grande milagre: estamos livres!

Bruno Moreno
08 de outubro de 2020

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

O Abismo de comunicação nas redes

 

A depender da forma como a comunicação ocorre, o uso das redes sociais pode impactar as nossas vidas de maneira positiva ou negativa. Os bons resultados são variados: as ferramentas online aproximam pessoas, permitem o compartilhamento de assuntos em comum, melhoram a prestação de serviços nas mais distintas áreas e possibilitam que toda pessoa com um smartphone em mãos tenha poder de voz sobre diversos assuntos. No entanto, as redes também têm sido a causa de alguns problemas, sejam eles de relacionamento pessoal, de saúde mental dos seus usuários, além de questões relacionadas à privacidade e ao desenvolvimento pessoal. Quem me conhece sabe que gosto bastante de me comunicar e expor minhas opiniões sobre assuntos que são do meu interesse. Decidi, em parte por esta razão, estudar de verdade o tema a partir de 2011, em minha tese de doutorado, quando defini um modelo de análise de comportamento de usuários de redes sociais baseadas em localização. Ultimamente, tenho refletido bastante sobre algumas questões relacionadas ao uso das redes sociais e tenho tentado aplicar o resultado dessas reflexões no meu dia a dia. Este é, portanto, o primeiro artigo de uma série em que discuto alguns aspectos dessas reflexões. Então, como dizem no Twitter, segue o fio! :)


Neste primeiro artigo eu gostaria de abordar o abismo que as redes sociais têm criado em nossa comunicação diária. Isso é especialmente interessante - e triste - já que essas ferramentas deveriam aproximar as pessoas. O primeiro aspecto que precisamos considerar diz respeito ao comportamento que seria adequado, ou aceitável, nesses espaços digitais.


Assim como os espaços físicos que frequentamos, os espaços digitais possuem regras, sejam elas explícitas ou não. Saber se comportar nesses espaços é de suma importância para que sejamos "ouvidos", compreendidos. Para isso, minha primeira sugestão é ficar atento ao que se chama Mito de Mehrabian, ou Regra 7-38-55 [1][2]. Em minha opinião, se todos estivéssemos atentos ao que diz esta regra, teríamos evitado parte de nossos conflitos em ferramentas de redes sociais.



O Mito de Mehrabian diz, basicamente, que a comunicação acontece de forma eficiente por três meios concorrentes: visual, sonoro e, claro, através do próprio conteúdo da mensagem. De acordo com Mehrabian, a coerência de uma comunicação efetiva depende 55% da linguagem corporal/facial, 38% do tom de voz e 7% das palavras proferidas. Apesar de existirem algumas controvérsias relacionadas ao referido estudo, penso que ele demonstra uma das causas de muitos dos nossos conflitos em redes sociais. Aquele debate sobre a pandemia, por exemplo, ou sobre qualquer outro tema polêmico em um grupo da família, pode ter gerado conflito exatamente porque os emissores e receptores das mensagens não puderam observar as expressões faciais uns dos outros enquanto discutiam.


A lição que o Mito de Mehrabian tem me ensinado é a de que sempre que estiver tratando sobre temas que possivelmente podem afetar os sentimentos das pessoas - e, claro, se minha opinião é realmente relevante - é melhor que eu envie um áudio pois, assim, estarei garantindo que os receptores interpretem sem maiores problemas pelo menos 45% da mensagem (7% do conteúdo do discurso + 38% relativos ao tom de voz). 




Pode ser que estando atentos à regra 7-38-55 ainda consigamos diminuir esse abismo. Mas essa tentativa de nada valerá se no mundo físico continuarmos fazendo parte da legião de imbecis do mundo virtual. Por "legião de imbecis" não entenda na mesma perspectiva em que Umberto Eco teria usado o termo (embora valha a pena ler a respeito). O ponto é que temos preferido o contato virtual ao físico e, sim, isso é de uma imbecilidade sem tamanho. Não é incomum estarmos em uma mesa de restaurante com amigos ou reunidos com familiares e, ao mesmo tempo, estarmos dando mais valor ao que se encontra nas redes do que ao que acontece "no mundo real". Estamos frequentemente "onlines" em nossas redes sociais virtuais, mas "offlines" em nossas redes sociais físicas. E é por isso que, por vezes, esse abismo só tende a aumentar. Não é contraditório que ferramentas que deveriam melhorar nossa comunicação e nossos relacionamentos estejam nos trazendo danos?


Lembro-me de uma cena em que vivi no ensino médio, em meados dos anos 2000, em que um professor de literatura teria "surtado" ao ver um celular de uma aluna carregando em sala de aula. Veja bem, naquela época ninguém via necessidade, sequer, de levar um celular para a escola, até porque pouquíssimas pessoas tinham um celular. Carregar um aparelho de celular em plena sala de aula, então, nem se fala. Além de telefones nas coordenações, toda escola tinha um ou mais "orelhões" que permitiam que seus alunos entrassem em contato com quem quisessem.



Hoje, como professor, não vejo somente celulares carregando em sala de aula, como também alunos utilizando seus aparelhos para os mais variados fins não somente dentro da sala, mas enquanto a aula ocorre. Eu mesmo, como professor, não interrompi minhas aulas somente para solicitar que alunos parem de fazer uso desses aparelhos, mas também já as interrompi para atender ligações. Aliás, fiz mais do que isso, já dei espiadas rápidas no whatsapp para ver se encontraria algo mais interessante do que a minha própria aula. E assim como nas rodas de amigos e nos encontros familiares, se perguntado sobre o uso inconveniente do aparelho em momento inapropriado, as respostas que dou possivelmente são semelhantes às mesmas que talvez você dê e às que escuto: "desculpa, é que é algo urgente". E, talvez, seja por causa de nossas urgências não importantes que, no futuro, precisaremos encontrar desculpas melhores para problemas realmente importantes de relacionamento.


Bruno Moreno

02 de outubro de 2020


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[1] Mehrabian, A., & Wiener, M. (1967). Decoding of inconsistent communications. Journal of Personality and Social Psychology, 6(1), 109–114. https://doi.org/10.1037/h0024532

[2] Mehrabian, A., & Ferris, S. R. (1967). Inference of attitudes from nonverbal communication in two channels. Journal of Consulting Psychology, 31(3), 248–252. https://doi.org/10.1037/h0024648


sexta-feira, 26 de junho de 2020

Um coração pra quem sempre amei


Foi em viagem da escola
Com muita recomendação
"Ô menino, não larga a tia
E sem bagunça nesse busão!"
Lugar quente da gota serena!
Mas foi com muita diversão
Mal sabia aquela gente pequena
Seria o reduto da minha formação

Na memória nem sempre confio
Num sei se zoológico ou se museu
Mas no shopping eu desafio
Que o melhor me assucedeu

Meu Jesus sabendo tudo
Desconfiou de minha lembrança
E transformou ela em matéria
Pra poetizar a minha infância

Não foi a bagunça entre amigos
Nem conversas fáceis de esquecer
Não foi a lanchonete dos gringos
Nem as meninas que'eu quis me perder

Foi um souvenir, na verdade
Era assim que vovó dava o nome
Nem seu gerovital a vontade
Traria essa lembrança ao homem

Uma arara foi suficiente
Afinal era tudo que eu tinha
Em matéria transformou minha mente
Um presente pra minha mainha

E cheguei aos amigos, orgulhoso
Fui perguntado por que me atrasei
E eu disse bastante vaidoso
Um coração pra quem sempre amei

Bruno Moreno, 26 de junho de 2020.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Qualidade X Quantidade

Ao final de 2019 decidimos, com Malu, que uma de suas metas para o ano seguinte seria ler o evangelho de Mateus. Começamos 2020 tentando, semanalmente, ler um capítulo por domingo. A leitura passou a ser bastante difícil e cansativa por diversas razões. Maria Luíza, como toda criança de 9 anos, fazia repetidas e incansáveis perguntas. Algumas bastante óbvias, mas, por vezes, também extremamente difíceis de serem respondidas de imediato.

Com as dificuldades, acabávamos não sendo frequentes na leitura semanal e isso passou tanto a me incomodar como a incomodá-la também. Por vezes fui cobrado, aos domingos, com um "Pai, e a nossa leitura juntinhos!?".

Foi no início da pandemia, então, que me planejei não somente em continuar com essa prática, mas em finalizar o livro ainda na quarentena. Pensei: "ora, se Mateus tem 28 capítulos e nós ja lemos 8, em menos de um mês conseguiremos ler todo o livro". Passei, portanto, a tentar fazer com que as leituras de cada capítulo fossem diárias e não mais semanais. Obviamente deu errado, afinal, quantidade não é qualidade.

As perguntas de Malu passaram a ser mais difíceis e me fizeram, Inclusive, observar detalhes no texto que eu nunca havia me perguntado ou a extrair reflexões que eu jamais havia feito. Foi aí que notei três coisas: primeiro, eu precisava elaborar um plano bíblico específico para ela, para a idade dela, para o nível de compreensão dela; segundo, eu tinha que ESTUDAR a porção bíblica do dia antes mesmo de ler com ela para, assim, TENTAR trazer respostas para suas perguntas bereianas; por fim, aquele tempo juntos precisava ser um tempo de meditação na Palavra, e não somente de estudo bíblico, eu precisava ensinar a minha filha a importância de uma leitura devocional diária. 

E foi assim que decidi mudar a estratégia. Se continuassemos como estávamos, Malu tanto não se apaixonaria pela Palavra como, também, acabaria tendo sérios traumas do tempinho junto com o seu pai (faltou-me domínio próprio por vezes rsrsrs). 

Foi assim que elaborei um plano com curtas porções DIÁRIAS baseado nas divisões de seções da Bíblia de Genebra (algumas porções, por exemplo, têm apenas 3 ou 4 versículos). Assim, o processo de ensino e aprendizagem da Palavra passou a ser bastante proveitoso. Foi incrível a diferença. Não somente eu passei a ensinar melhor como ela passou a aprender de forma mais leve e a se interessar ainda mais pelo que lia. Mais do que isso: as pequenas porções nos permitiu refletir, meditar, sobre o texto de forma bastante enriquecedora e a trazer valiosas lições para nossa vida prática. E isso diariamente.

Meus irmãos, como isso tem me fortalecido! Pela graça de Deus, e somente pela graça, posso dizer que em meio ao caos tenho tido tempo de conforto, consolo, conhecimento do Eterno e aprendizado teológico de alto nível com minha teóloga mirim (só quem é pai e/ou professor sabe que é ensinando que se aprende mais). Esse tempo não exclui a necessidadede um devocional pessoal, somente entre eu e Deus, mas o que posso dizer é que tem valido a pena pensar menos em quantidade e mais em qualidade nas leituras bíblicas. Digo isto porque é bastante comum que sejamos tão influenciados pelos valores deste mundo que até nossa vida espiritual e de estudo bíblico passa a ser direcionada pelos padrões de produtividade de um mundo pecaminoso. Precisamos reorientar nosso coração.

O maná apodrecia quando em quantidade excedida, os milagres dos pães e peixes foram realizados com a pouca quantidade. A qualidade das pequenas porções diárias PODEM ser extremamente significativas para nos dar um alimento espiritual sólido. Tudo depende de onde está, exatamente, nosso coração.

Bruno Moreno

domingo, 26 de abril de 2020

Seis fatos para você não continuar defendendo Bolsonaro depois da saída de Moro

A saída de Sérgio Moro do governo Bolsonaro demonstrou não somente a crise insustentável que paira sobre Brasília, mas também que assim como a imprensa tenta nos enganar com suas fakenews, esse pessoal que está no poder faz o mesmo. Por exemplo, enquanto Carla Zambelli, deputada bolsonarista, implorava para que Moro permanecesse no governo, a mesma tuitava que a mídia estaria "pregando uma peça" ao país e culpando a mesma mídia pela queda nas bolsas.




Foi desnudada, então, através da coletiva do então ministro, a hipocrisia de um governo que foi eleito não somente com um discurso anti-corrupção, mas especialmente fazendo mal uso de uma (suposta) moral cristã. Além disso, claro, a coletiva evidenciou mais uma vez como o petismo e o bolsonarismo são faces da mesma moeda.




Adianto, aos precipitados, esse texto não é uma defesa a Moro. Penso, inclusive, que o nosso mal é sempre querer depositar em uma figura política a redenção do país. Moro não pode ser o novo Lula nem o novo Bolsonaro, ou Baalsonaro, como queiram. O que passo a lembrá-los, e que gostaria que refletissem, são fatos que vêm ocorrendo ao longo do governo que demonstram que, ao contrário do que o mesmo se propunha, ele não somente é um governo imoral, como é, também, corrupto.




Vamos aos fatos. Primeiro, Bolsonaro quis mudar o diretor geral e superintendentes da Polícia Federal com único e real objetivo de beneficiar a si próprio e os seus. Muitas são as razões para isso, razões essas que vêm não somente se confirmando com o passar do tempo, mas foram ainda reforçadas com a coletiva do ex-ministro. Essas razões, inclusive, se misturam aos fatos. 


Segundo, Bolsonaro está evidentemente preocupado com as denúncias contra Carluxo, seu filho 02. A preocupação diz respeito tanto ao assassinato de Marielle quanto ao suposto gabinete do ódio. Quanto a Marielle, é inevitável lembrar do discurso do presidente logo após a coletiva de Moro e seu comentário digno de um presidente conservador sobre seu filho 04, o Renan, aquele que acabou se envolvendo em tudo isso por ter sido o "comedor" do condomínio.




Por falar em discurso do presidente, vamos ser sinceros, o que foi aquilo? Me parecia mais uma aglomeração de imbecis tentando dar credibilidade a uma fala infantil, tola e voltada, tão somente, para uma turma de alienados que (ainda) lhe resta. Assistir um discurso daquele, perdido, desconexo e pueril, me trouxe a mesma sensação que tinha quando ouvia a ex-presidente Dilma: "Eu ajudei, com meu voto, a colocar essa anta acéfala no poder". 




O gabinete do ódio, por sua vez, tem sido objeto de fala de vários ex-aliados de Bolsonaro, especialmente aqueles que foram vítimas das difamações partidas do "setor" chefiado pelo filho 02. Além de calúnia, difamação e injúria serem crime em nosso código penal, quando elas partem de servidores públicos, utilizando-se recursos públicos, o problema aumenta e passa a ser corrupção.




Uma explicação breve sobre o tal gabinete do ódio: é relativamente simples criar (e identificar) robôs nas redes sociais, especialmente Twitter. Se você não sabe pra que serve o tal robô e continua achando isso irrelevante em todo esse contexto, compreenda o seguinte: eles impulsionam assuntos específicos, ajudam a construir narrativas (e destruir), ajudam a influenciar pessoas e funcionam de forma semelhante aos anúncios de produtos que vemos em nossas redes sociais. Na teoria das redes, chamamos esse efeito, inclusive, de Efeito Mateus, em referência ao capítulo 25, versículo 29, do evangelho bíblico. Isto, porque, em linhas gerais, quanto maior a visualização de um assunto, um tópico ou uma pessoa, mais visualização o assunto, o tópico ou a pessoa terá.




Terceiro fato, Bolsonaro está preocupado, sim, com o curso das investigações sobre as últimas manifestações que o mesmo participou. O que seria uma simples homenagem ao exército se tornou, com apoio claro do presidente, uma alusão à ditadura e, especialmente, ao AI-5. Engana-se (ou, talvez, mente) quem diz que Bolsonaro e pessoas do governo não incentivaram os atos. O incentivo não somente aconteceu antes dos mesmos, como há fotos e provas que houve omissão e silêncio durante o evento. Omissão e silêncio sobre um ato institucional antidemocrático proveniente, justamente, do representante máximo de um estado democrático.




Em quarto lugar, como se não bastasse, até aqui, o envolvimento de dois de seus filhos com tudo isso. Bolsonaro está preocupado, ainda, com as investigações relacionadas ao seu filho Flávio Bolsonaro e essa é a razão de tanto ele querer substituir o superintendente da PF do RJ: proteger, mais uma vez, o Flavinho. E claro, dentre as várias tentativas anteriores está o acordo de Bolsonaro com Toffoli, que indicou o nome do atual Advogado (ou Pastor) Geral da União.


Quinto, Bolsonaro JÁ nomeou o novo Diretor Geral da Polícia Federal e o fez, exatamente, sob a tutela de um de seus filhos investigados. Isso mesmo, o Alexandre Ramagem, atual DG da PF, é amigo de Carlos Bolsonaro. 




Além de proteger interesses pessoais (não republicanos), a troca de chefes da PF demonstra uma clara interferência política conforme dito pelo próprio Moro e confirmado por Baalsonaro (ops, Bolsonaro) em seu insano pronunciamento. Bolsonaro não é contra o sistema, Bolsonaro faz parte dele. A escolha de um Diretor Geral da PF que esteja submisso ao presidente é tão grave quanto o presidente escolher um PGR que também esteja submisso ao mesmo. E Bolsonaro fez, exatamente, as duas coisas.



Por fim, Bolsonaro é esquema. Bolsonaro é sistema. Bolsonaro é centrão. Bolsonaro é Maia. Bolsonaro escolheu Maia para presidência da câmara e sua base aliada votou em peso nele a mando do presidente. À época, existiam boas opções, como Marcel Van Hattem, que foi amplamente ignorado por aqueles que dizem ser a "nova política". Aparelhar o segundo escalão com figuras como Arthur Lira, Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto um dia antes de demitir o Valeixo foi um sinal claro de que Bolsonaro é o que sempre foi: a velha política.

sábado, 4 de abril de 2020

O Jejum de Bolsonaro

Durante a entrevista do presidente Bolsonaro à Jovem Pan, ao vivo, duas coisas me surpreenderam. Primeiramente, a quasi-demissão do Ministro da Saúde Luiz Mandetta ao vivo. Segundo, o chamamento do presidente especificamente aos "ministros evangélicos" para o que seria um jejum nacional. 



A primeira coisa que me surpreendeu e é obviamente absurda. É fato indiscutível. A segunda não deveria, mas é absurda também e a minha intenção com esse texto é, exatamente, trazer uma reflexão sobre os porquês que eu entendo ser absurdo esse chamamento específico aos "líderes evangélicos".

1) Não vivemos em uma TEOcracia. É insanidade, loucura, é heresia acreditar que um presidente eleito DEMOcraticamente pode fazer uma CONVOCAÇÃO para alguma prática religiosa. Uma SANTA convocação, então, nem se fala. Vergonha alheia dele e de quem segue;

2) Como não vivemos numa TEOcracia, o presidente não é um representante de Deus. Deus escolheu Bolsonaro tanto quanto escolheu Temer, Dilma, Lula, FHC e todos seus antecessores (leia Romanos). No sentido bíblico, se até Pilatos foi escolhido por Deus para ter autoridade (leia os evangelhos), avalie Bolsonaro;

3) Ter tido o apoio de cristãos durante as eleições para justificar uma SANTA CONVOCAÇÃO para jejum é tao significativo quanto ter sido batizado por Silas Malafaia ou ter "Messias" no sobrenome. Ou seja...;

4) Conclamar "líderes evangélicos" é apelar ao apoio de parcela da liderança e de crentes comuns que tem prestado-lhe apoio cego e acrítico. A conveniência com um governo corrupto e imoral é demoníaca, divide a igreja e tem pregado uma redenção meramente humana. A teologia bolsonarista está bem semelhante à teologia da libertação: a primeira tem tornado a cruz um mero detalhe em nome do anti-petismo e conservadorismo às avessas; a segunda, como todos sabemos, tornou a cruz periférica em detrimento de obras sociais e outras coisitas más;

5) Não passe a vergonha de comparar esse jejum com outros jejuns bíblicos determinados por Deus através de reis ou rainhas: não se compara. A não ser que você esteja se referindo ao jejum de Jezabel (leia I Reis). Aí sim...;

6) Bolsonaro e Lula são faces da mesma moeda no populismo: Lula é o populista de esquerda, que se apropria das ideias progressistas e dos movimentos sociais mesmo que não tenha nenhuma simpatia por eles. Bolsonaro se apropria de valores que não comunga e faz uso, inclusive, do pior do populismo: o religioso. Bolsonaro pode até ser casado com uma protestante, mas o guru dele odeia o protestantismo;

7) A ausência de críticas por parte da igreja evangélica ao governo atual que trata a crise como fantasiosa é uma afronta à história do protestantismo tanto pela raiz de nossa denominação, como pelo valor que sempre demos à ciência. Seguir cegamente um presidente que favorece o achismo em detrimento da ciência é cuspir na história protestante;

8) Várias igrejas ao redor do país já têm feito campanhas de jejum e oração. Se você não iniciou a campanha com alguma igreja e agora pensa em iniciar por causa da "SANTA CONVOCAÇÃO", me perdoe, mas você está lendo a bíblia errada e servindo a um anti-cristo. Se arrependa e sirva a Jesus.

9) Se seu pastor ou sua igreja vai seguir a SANTA CONVOÇÃO, cuidado: você PODE ESTAR seguindo um FALSO PROFETA. Reflita a respeito. Mude enquanto é tempo. Cuidado com a operação do erro lá de II Tessalonicenses.

10) Bolsonaro usa, frequentemente, João 8:32 sem saber, exatamente, do que trata a VERDADE daquele texto. Faz o mesmo com o texto bíblico da SANTA CONVOCAÇÃO quando não observa que Deus ouve nossas orações quando NOS HUMILHAMOS e NOS CONVERTEMOS DOS MAUS CAMINHOS.

Dito tudo isto, cuidado para seu jejum não virar apenas uma dieta. Não passe fome a toa. Isso não é um indicativo que não devemos jejuar amanhã, mas não o faça por causa da SANTA CONVOCAÇÃO do presidente. Leia a Bíblia!

Bruno Moreno

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Família Santos em Missões



Amigos, gostaria de lhes contar a história de uma família que deixou João Pessoa, na Paraíba, para ir à Alemanha servir ao Senhor. Falo de Walter, Rapha e seus filhos (Rebeca e Caleb). Walter e Rapha são missionários em tempo integral e têm servido ao Senhor através da JOCUM (Jovens Com Uma Missão), que é um movimento internacional empenhado na mobilização de jovens de todas as nações para a obra missionária.


O trabalho missionário deles em tempo integral se iniciou durante a crise migratória de refugiados na Europa em meados de 2015. Desde o início daquela crise, Walter e sua família têm contribuído com a JOCUM da cidade de Bad Blankenburg com diversas atividades, seja na recepção, no acolhimento, asilo, alimentação, assessoria para questões diversas e primeiros socorros. 



Tem sido um trabalho extremamente desafiador em várias áreas, pois eles lidam com pessoas em situação de vulnerabilidade social de diversas faixas etárias e provindas de culturas muito distintas. São idosos, adultos, jovens e crianças que, por vezes, são órfãs. É através do trabalho de Walter, Rapha e tantos outros missionários que essas pessoas encontram apoio material (moradia, roupas e alimentos), social (amigos, conversas) e profissional. No entanto, a parte mais importante desse trabalho é o apoio que os missionários dão no alimento espiritual, por meio das visitas aos lares, aconselhamento, ensino da Palavra e pregação do Evangelho do Reino. 


A crise atual, da pandemia do COVID-19, tem impactado diretamente na manutenção de vários missionários ao redor do mundo; e, infelizmente, com Walter e sua família não tem sido diferente. Recentemente soubemos que um de seus principais mantenedores perdeu o emprego e não poderá mais ajudá-los com o aluguel mensal da moradia deles. É por isso que estou me chegando a vocês: gostaria de reunir o máximo de pessoas possível para manter, mensalmente, essa família querida. Qualquer ajuda é bem vinda. O aluguel deles custa 440 euros, o que dá aproximadamente R$ 2.500 reais, a depender do câmbio do dia. Temos fé de que conseguiremos uma quantia maior do que essa para ajudá-los ainda mais.

Assim funciona a fé: "ela é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos" (Hebreus 11:5). Cremos que esta pandemia é o tempo propício de exercitarmos nossa fé não somente em confiança em Deus e arrependimento de nossos pecados, mas também realizarmos aquilo que o Apóstolo Paulo sugere que façamos em Romanos 10:14: se não podemos, por nós mesmos, anunciar o evangelho que traz novidade de vida, a um povo específico, podemos enviar.

A ajuda pode ser feita a partir de R$ 10,00 mensais. Se você não puder fazê-lo, nós compreendemos perfeitamente. Pedimos, de coração, que você ore tanto por essa família como, também, que consigamos ultrapassar a meta dos R$ 2.500,00 mensais. Pedimos também que você compartilhe esta mensagem com pessoas que possivelmente podem colaborar.

Além de orar e de compartilhar esta mensagem, você também ajuda se divulgar o trabalho de Walter como Designer a possíveis interessados: https://www.behance.net/wmoriah. Esses são apenas alguns dos trabalhos de Walter que estão presentes em seu portfolio:

 
Finalmente, como iremos proceder com a ajuda financeira? Criamos um grupo no whatsapp que é voltado para todos os que podem contribuir mensalmente com QUALQUER valor a partir de R$ 10,00. Pessoas que querem contribuir de forma avulsa também são bem vindas. O grupo é voltado, especificamente, para este propósito. Se você tem interesse de entrar nessa campanha solidária, entre no grupo (link: https://chat.whatsapp.com/GgiyOG4aa760sDkKsiQLJX). Lá explicaremos mais detalhes de como serão os trâmites para que essa ajuda chegue até eles.





Nós, que assinamos logo abaixo e que estamos organizando esta campanha, estamos cientes de que pessoas mal intencionadas podem usar esta mensagem, bem como nossos nomes, para realizar os maus desígnios de seus corações. Diante disso, pedimos duas coisas. Primeiro, que você compartilhe esta mensagem, realmente, com quem possivelmente pode colaborar. Segundo, publicamos esta mensagem na íntegra no site a seguir para que você, que queira colaborar, possa verificar se confere com a original. Verifique aqui: https://bnmoreno.blogspot.com/2020/04/familia-santos-em-missoes.html.

Muito Obrigado!

Organizadores da campanha:
Bruno Moreno
Mayara Moreno
Danillo Vita
Isabel Azevedo
Nilsara Oliveira

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Seguem os dados bancários de Walter:

Nome Completo: Walter Araújo dos Santos
CPF: 252.625.878-28

Banco do Brasil
Agência: 1234-3
Conta: 34.116-9

Banco Nu Pagamentos S.A. (código 260)
Agência: 0001
Conta: 86637975-3

N26 BANK (Banco Alemão)
IBAN DE93 1001 1001 2623 6239 73
BIC NTSBDEB1XXX

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